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GHRP-2 (Pralmorelina): o que é, como funciona e status

O GHRP-2 é aprovado só no Japão como agente diagnóstico. Mecanismo via receptor de grelina, comparação com outros GHRPs e situação antidoping.

·6 min de leitura

O GHRP-2 é um dos secretagogos de GH mais citados no universo dos "peptídeos do hormônio do crescimento", ao lado de nomes como GHRP-6, ipamorelina e hexarelina. Seu ponto distintivo tem menos a ver com potência e mais com regulação: ele é o único do grupo que chegou a receber aprovação de uma agência — mas em um único país e para uma única finalidade.

⚠️ Importante: o GHRP-2 é aprovado apenas no Japão e somente como agente diagnóstico. Não tem registro na FDA, na EMA nem na ANVISA. É proibido pela WADA (classe S2), com métodos de detecção já validados. Este artigo é informativo e não é indicação de uso.

O que é o GHRP-2 (pralmorelina)

O GHRP-2 (pralmorelina, código de desenvolvimento GPA-748) é um hexapeptídeo sintético da família dos GHRPs — os peptídeos liberadores de hormônio do crescimento. Ele age como agonista do receptor de grelina, estimulando a hipófise a liberar GH. Recebeu aprovação regulatória apenas no Japão (Kaken Pharmaceutical), onde é usado como agente diagnóstico para deficiência de GH em adultos sob o nome GHRP Kaken 100. Não é aprovado pelo FDA, pela EMA nem pela ANVISA.

Para ver os dados técnicos completos — meia-vida, faixa de dose e referências dos estudos — consulte a ficha técnica do GHRP-2.

Como funciona: receptor de grelina e sinergia com o GHRH

O GHRP-2 é um agonista do receptor GHSR-1a — o receptor da grelina, também chamado receptor secretagogo de GH — presente nos somatotrofos da hipófise e no hipotálamo. Ao ativá-lo, estimula a liberação pulsátil de GH, imitando parte do que a grelina endógena faz.

Um ponto importante do mecanismo é a sinergia com análogos de GHRH: em coadministração, GHRP e GHRH agem em receptores diferentes e complementares, amplificando a liberação de GH mais do que qualquer um isolado. É por isso que, no uso de pesquisa e no mercado manipulado, o GHRP-2 costuma aparecer combinado a análogos de GHRH — o mesmo princípio por trás de combos como CJC-1295 + ipamorelina.

GHRP-2 vs outros GHRPs: cortisol, prolactina e apetite

Dentro da classe, o GHRP-2 ocupa um meio-termo. Comparado à ipamorelina, é menos seletivo: eleva ACTH, cortisol e prolactina de forma dose-dependente. Mas essa elevação costuma ser de magnitude inferior à provocada pela hexarelina e pelo GHRP-6. No apetite, vale a mesma lógica — ele estimula a fome, porém menos que o GHRP-6.

CaracterísticaGHRP-2GHRP-6
Estímulo de apetiteModeradoMuito intenso (o maior da classe)
Cortisol / prolactinaElevação dose-dependenteElevação mais marcada
Status regulatórioAprovado no Japão (diagnóstico)Nunca aprovado (pesquisa)

Para aprofundar, veja a comparação GHRP-2 vs GHRP-6, a ficha técnica do GHRP-6 e o guia GHRP-6: o secretagogo de GH que dá fome.

Status regulatório (só o Japão) e antidoping

O único registro do GHRP-2 no mundo é o japonês, restrito ao uso diagnóstico. Fora dessa indicação — e fora do Japão — ele é considerado um peptídeo de pesquisa, sem aprovação para uso terapêutico. No Brasil, não há registro na ANVISA.

No esporte, o GHRP-2 é proibido pela WADA (classe S2), dentro e fora de competição. Existem métodos validados de LC–MS/MS para detectá-lo na urina em controle antidoping, e já houve casos positivos sancionados. Ou seja: não é uma substância que "passa despercebida" nos testes.

Efeitos colaterais

Entre os efeitos relatados do GHRP-2 estão:

Como não há bula ampla, as contraindicações vêm do que se conhece do peptídeo e da classe: malignidade ativa, gestação e lactação, doença crítica aguda, distúrbios do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e hipersensibilidade ao peptídeo.

Dose

A única referência com respaldo de bula é a do uso diagnóstico no Japão: 100 µg por via intravenosa, em dose única. Fora dessa indicação, não existe dose aprovada. Em protocolos informais e de manipulação, o GHRP-2 aparece em torno de 100 µg por via subcutânea, 2 a 3 vezes ao dia — a meia-vida curta, estimada em cerca de 15 a 60 minutos, é o que justifica as múltiplas aplicações diárias. Vale reforçar: isso é off-label, sem validação regulatória.

Quem lida com peptídeos manipulados em pó precisa reconstituí-los antes do uso. Para acertar a proporção de água e a marcação na seringa, veja a calculadora de reconstituição.

Perguntas frequentes

O GHRP-2 é aprovado em algum lugar?

Sim, mas apenas no Japão. Lá o GHRP-2 (pralmorelina) é aprovado como agente diagnóstico da deficiência de GH em adultos, sob o nome GHRP Kaken 100 (Kaken Pharmaceutical). Não tem registro na FDA, na EMA nem na ANVISA. Fora do Japão, e fora do uso diagnóstico, é tratado como peptídeo de pesquisa, sem respaldo regulatório para uso humano.

GHRP-2 ou GHRP-6, qual a diferença?

Os dois são GHRPs, agonistas do receptor de grelina que estimulam a liberação de GH. A diferença prática está no perfil: o GHRP-6 estimula o apetite de forma muito mais intensa — é o que mais "dá fome" da classe — e eleva cortisol e prolactina de maneira mais marcada; o GHRP-2 tem estímulo de fome mais moderado. Além disso, o GHRP-2 tem aprovação regional (Japão, diagnóstico), enquanto o GHRP-6 nunca foi aprovado em lugar nenhum.

O GHRP-2 aumenta muito a fome?

O GHRP-2 estimula o apetite porque ativa o receptor de grelina — o mesmo hormônio da fome —, mas de forma menos intensa que o GHRP-6. Ainda assim, aumento de fome é um efeito esperado do peptídeo, apenas em grau mais moderado que o do "primo" GHRP-6.

GHRP-2 é detectado no antidoping?

Sim. O GHRP-2 é proibido pela WADA (classe S2, hormônios peptídicos) dentro e fora de competição, e existem métodos validados de LC–MS/MS para detectá-lo na urina, com casos positivos já sancionados. Não é uma substância "indetectável", ao contrário do que às vezes se afirma no mercado.

Qual a dose de GHRP-2?

A única dose com respaldo de bula é a do uso diagnóstico japonês: 100 µg por via intravenosa, em dose única. Fora dessa indicação não existe dose aprovada. Protocolos informais e de manipulação usam em torno de 100 µg por via subcutânea, 2 a 3 vezes ao dia, mas isso é off-label, sem validação regulatória e sujeito aos riscos do mercado não regulado.

Peptídeos citados neste artigo

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